sexta-feira, 9 de maio de 2014

IVAN MILAT: O assassino de mochileiros

O pior serial killer da Austrália dos tempos modernos, Ivan Robert Marko Milat era filho de imigrantes croatas, nascido em 1945. Não era fumante e também evitava bebidas alcoólicas. Milat trabalhou na construção de uma rodovia e devotou seu tempo de lazer a corrida de motocicletas, viajando off-road em um veículo com tração nas quatros rodas e caçando.



Os amigos presumiram que sua paixão por espreitar a caça estava restrita a objetivos de quatro patas, mas eles estavam enganados. Hoje, Milat esta condenado por sete assassinatos cometidos entre 1989 e 1992, e suspeito de outros, datando do final da década de 70.



Os Crimes

Uma caçada humana de dois anos na Austrália, atrás do depravado "assassino da mochila preta", começou em setembro de 1992, quando os andarilhos encontraram os restos decompostos de duas mulheres, na Floresta Estadual de Belanglo, perto de Sidney, em um ponto chamado Declive do Executor.



Os corpos foram identificados como de Caroline Clarck, 21 anos, e Joanne Walters, 22 anos, turistas britânicas vistas pela última vez com vida em Sidney, em 18 de abril de 1992, enquanto pediam carona para Adelaide.



 



A descoberta de dois corpos motivou uma pesquisa mais ampla, e a polícia logo encontrou uma cova rasa distante poucas milhas do primeiro local contendo os restos do esqueleto de James Gibson e Deborah Everist, ambos australianos. Os dois, de 19 anos, desapareceram em algum lugar entre Liverpool e Goulburn enquanto pediam carona para um festival de conservação em 9 de dezembro de 1989.



A mochila e a câmera de Gibson foram encontradas ao lado de uma estrada rual, dois meses depois, como se tivesse sido jogada de um carro que estivesse passando.



A pesquisa continuou. Em outubro, as autoridades encontraram os restos de Simone Schmidl, 21 anos, uma turista alemã, que desapareceu no mesmo trecho da estrada de Liverpool, ela pedia carona para Melbourne em 21 de janeiro de 1991. Seus óculos e equipamento para acampar foram encontrados em um arbusto próximo a Wangatta pequena cidade em Victoria. De acordo com o relatório médico, Simone foi amarrada, amordaçada e apunhalada diversas vezes.



Os corpos de outro casal de turistas alemães também foram encontrados, com os mesmos sinais dos anteriores: ferimentos de lâmina, e, no caso da mulher, ataque sexual e decapitação. Até este momento, a polícia tinha um serial killer a solta, mas sem a menor sombra de pistas. O indivíduo não deixava nenhum rastro, não havia sobreviventes ou testemunhas, o que tornava a investigação extremamente lenta.

Os assassinatos

Deborah Everist
O corpo de Deborah mais parecia com um hamburger quando ele foi descoberto em 5 de outubro de 1993, três anos e meio após a sua morte. Isto torna muito difícil para cientistas obter informações precisas sobre a causa exata da morte. Ela teria sofrido pelo menos uma facada, mas era evidente que houve várias lesões, detectadas em Deborah na parte superior do esqueleto. Mas, devido ao adiantado estado de degradação, foi impossível determinar se Deborah sofreu mais ferimentos fatais. Seu crânio tinha sido fraturado. Este pode ter sido quebrado após sua morte, mas não foi determinado.



James Gibson
Devido ao tempo decorrido entre o seu assassinato até a descoberta do corpo de James, uma série de provas cruciais tinham sido perdidas. No entanto o esqueleto de James forneceu aos detetives o modo como foi abatido. A autópsia indicou que James tinha sofrido várias apunhaladas. A maioria das apunhaladas foram desferidas em seu peito e na parte superior das costas. A ferocidade dos golpes tinha deixado alguns dos ossos de James cortados ao meio. Ambos Deborah e James foram encontrados em sepulturas rasas na floresta estadual de Belanglo. Eles estavam cobertos apenas com folhas e detritos.



Simone Schmidl
Simone, como muitas das outras vítimas, havia sofrido várias apunhaladas na sua parte superior das costas. Tal como as outras, ela foi encontrada em um túmulo raso na floresta estadual de Belanglo, coberta com varas, folhas e detritos. Seu corpo foi descoberto em 1 de novembro de 1993, após o seu desaparecimento, em Janeiro de 1991. O tempo entre a sua morte e a descoberta do seu corpo foi suficiente para apagar muitas das provas que teriam ajudado a condenar alguém para os crimes. Três dias depois mais dois corpos foram encontrados, tendo o número de mortos subido para sete.


Gabor Neugebauer
Gabor e sua namorada Anja Habschied foram encontrados na floresta estadual de Belanglo em 4 de novembro de 1993. Gabor tinha sido atacado seis vezes na cabeça, três tiros do lado esquerdo do seu crânio e três tiros na parte de trás, base do crânio. Evidências forenses sugerem também que Gabor foi estrangulado, talvez como um último esforço sádico para matá-lo, embora os seis tiros por si só teriam sido mais do que suficientes. Ele também tinha um pedaço de pano amarrado em torno de seu rosto como uma mordaça. A arma usada para matar Gabor foi identificada como Ruger 10/22. Peças de uma Ruger 10/22 e um silencioso caseiro foram encontrados em uma cavidade na parede da casa de Ivan Milat.


Anja Habschied
O assassinato de Anja Habschied foi de longe o pior. Antes da descoberta do corpo de Anja, a polícia sabia que as formas dos assassinatos foram por tiros e apunhaladas (embora também haja provas de que ele estrangulou pelo menos uma das suas vítimas). Com a causa comum de morte, a polícia foi capaz de ligar todas as seis vítimas à mesma pessoa, no entanto o assassinato de Anja Habschied estava muito longe das feridas infligidas às outras vítimas. Anja teve sua cabeça separada de seu corpo em um violento golpe. O corpo de Anja estava sem a metade inferior do vestuário. Isto sugere que ela também pode ter sido violentada sexualmente, mas infelizmente, devido ao tempo decorrido de quase dois anos entre o seu assassinato e a descoberta de seu corpo, não há provas suficientes para se saber ao certo. Algumas peças de vestuário foram encontradas mais tarde, e acredita-se terem sido pertencidos a Anja e Gabor. Por estarem quase totalmente decompostos no chão da floresta, é difícil para a polícia estar absolutamente certa.



A Caçada

Um homem chamado Paul Onions, britânico, relatou sua experiência na Austrália, quando pedia carona fora de Sidney. Ele foi abordado por um homem em uma caminhonete, que se apresentou como Bill. Depois de rodarem um pouco, "Bill" sacou uma arma anunciando o assalto. Onions fugiu, correndo por sua vida, escondendo-se entre arbustos enquanto o assassino disparava repetidamente em sua direção.


Lembrou-se de detalhes suficientes para um retrato falado, salientando o farto bigode do atirador. Neste meio tempo, os investigadores estavam revendo arquivos de crimes antigos quando se depararam com um caso de estupro, registrado contra Ivan Milat, conhecido por usar o apelido de Bill.



Em maio de 1994, um esquadrão aéreo de 50 oficiais invadiu a propriedade de Milat, em Eagle Valley, encontrando evidências, como as armas que foram usadas nos crimes e as peças de acampamento roubadas das vítimas.



 



Os detetives deduziram que Milat matou as vítimas, decapitou e usou a cabeça para prática de tiro ao alvo, justificando os inúmeros ferimentos à bala.



O julgamento

Em 31 de maio de 1994, Milat foi formalmente acusado de setes assassinatos, além do ataque a Paul Onions e diversas acusações de porte de arma. Em um julgamento de quatro meses, em 1996, o advogado de Milat tentou enfraquecer o caso da promotoria, apontando suspeitos alternativos.



 



Os jurados rejeitaram a manobra, condenando Ivan por todos os sete assassinatos em 27 de julho de 1996.



Milat recebeu seis sentenças de prisão perpétua, mais um período adicional de seis anos pela tentativa de assassinato de Paulo Onions.



Milat apelou da condenação de forma pouco usual, alegando que não havia agido sozinho. Nenhuma ação foi tomada em relação a este fato, mas Milat foi colocado sob severa segurança após uma tentativa frustrada de fuga.



Até o momento, mais nenhuma acusação foi registrada. Ivan Milat permanece preso em New South Wales.



 



Cena do filme "Wolf Creek", baseado em alguns crimes de Milat.

Abaixo um documentário sobre Milat:
 

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